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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Novelas do Minho - O degredado

Camilo Castelo Branco
1825-1890

Quando pelos anos 60 frequentava o liceu nunca me aproximei dos livros de Camilo, mesmo aos que o programa obrigava me escapei. Não porque não gostasse de ler, sempre gostei, mas a imagem que construí de Camilo não mo tornava apetecível. "Amor de perdição" e "A queda de um anjo" pareciam-me coisa lamecha, e a fotografia do "velhinho" de óculos e bigode que andava por todo o lado confirmava a ideia. E assim vivi, alegremente, até aos vinte e muitos, a não querer ouvir falar de Camilo. Foi então que apanhei uma valente gripe e,  na cama, sem me poder mexer, pedia livros, qualquer coisa para ler. Acontece que a minha mulher, que adorava Camilo e há muito me dizia que era tolo por não o ler e que a minha ideia sobre ele estava totalmente errada, aproveitou a situação e, apesar dos resmungos, passou-me para as mãos as "Novelas do Minho", outro título que na juventude me tinha feito torcer o nariz.  Não foram precisas mais que meia dúzia de páginas para perceber como estava errado e o resto da gripe foi tratada a Camilo que é hoje um dos autores cuja leitura me proporciona mais prazer e gargalhadas. E louvadas sejam as alminhas, que foi obrigado a escrever muito para conseguir pagar as contas e para meu prazer.

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